Cristóvão Colombo corre risco de sumir do calendário nos EUA

Retrato que seria de Colombo, pintado por Sebastiano del Piombo (1519) – Reprodução

WASHINGTON – O Columbus Day (ou Dia de Colombo, em celebração ao Descobrimento da América) pode estar com os dias contados nos Estados Unidos. Comemorado em países de língua espanhola e em território americano, a data lembra o grande feito de Cristóvão Colombo e é celebrada com um feriado no dia 12 de outubro. Mas os tempos são outros. Alguns estados dos EUA estão reivindicando uma mudança no calendário, ao menos no nome da data a ser festejada. Sai o colonizador Cristóvão Colombo e entram os colonizados. Em vez de Columbus Day, os americanos comemorariam o Indigenous Peoples Day (Dia dos Povos Indígenas Americanos, numa espécie de homenagem à memória das vítimas do colonialismo e para que o genocídio de povos autóctones no continente americano não seja esquecido). Em agosto passado, Los Angeles foi a primeira grande cidade dos EUA a abolir o Columbus Day e a adotar o novo nome para o feriado. Na quinta-feira, Austin seguiu o caminho que já havia sido aberto por São Francisco, Seattle e Denver.

Mas a decisão de tirar o nome do italiano Cristóvão Colombo da folhinha tem provocado polêmica nos Estados Unidos e a ira de imigrantes italianos que vivem no país. Para eles, os governos locais estão sendo insensíveis ao apagar o nome do feriado que eles têm como referência para celebrar sua herança cultural.

— Passamos por tempos difíceis neste país por mais de cem anos — disse Basil Russo, presidente da Order Italian Sons and Daughters of America (Ordem Italiana dos Filhos e Filhas da América), à AP. — O Columbus Day é o dia que escolhemos para celebrar quem somos. E temos o direito de fazê-lo, assim como eles têm o direito de comemorar quem são.

Para Cliff Matias, ativista indígena e diretor do Redhawk Native American Arts Council, a proposta não é desonrar os imigrantes italianos.

— É uma questão em torno de Cristóvão Colombo — afirmou ele, que está organizando um evento em Nova York para discutir o assunto. — Se eles querem exaltar Colombo, nós temos o direito de homenagear os que sobreviveram a ele.

A controvérsia em torno do legado de Colombo não é nova, mas ganhou fôlego depois que o debate sobre questões raciais e a remoção de monumentos em homenagem a líderes confederados tomou os EUA. No mês passado, em Nova York, onde 35 mil pessoas são esperadas numa marcha no próximo Columbus Day, na quinta-feira, vândalos pintaram de vermelho as mãos de uma estátua de Colombo e escreveram: “Sem tolerância para o ódio.”

  • Estátua de Saddam Hussein é derrubada em Bagdá, em 2003
    Foto: GORAN TOMASEVIC / REUTERS/9-4-2003

    Saddam Hussein

    No dia 9 de abril de 2003, durante a invasão do Iraque por tropas dos Estados Unidos, soldados norte-americanos derrubaram uma estátua de 12 metros de Saddam Hussein, que ficava numa praça em Bagdá. As imagens correram o mundo, simbolizando a queda de Saddam. O ditador acabou enforcado três anos depois.

  • Maior estátua de Lênin na atualidade é derrubada em Kharkiv Foto: Igor Chekachkov / AP

    Vladimir Lênin

    Com o fim do regime soviético, a imagem de um de seus mentores, Vladimir Lênin, foi removida das ex-repúblicas e também de Berlim. Em confronto aberto com os russos, a Ucrânia obrigou a retirada de todas as restantes. A maior estátua de Lênin na atualidade foi derrubada na cidade de Kharkiv, em setembro de 2014.

  • Cabeça da estátua de Kadafi é pisada após derrubada da imagem Foto: Reprodução

    Muamar Kadafi

    A estátua símbolo do poder do ditador líbio, foi pichada e danificada por rebeldes que invadiram o complexo de Bab al-Aziziya, em Trípoli — cenário do primeiro discurso de Kadafi após os protestos que deram início à Primavera Árabe, em 2011.

  • Estátua de Chávez foi destruída em Rosario de Perijá Foto: Reprodução

    Hugo Chávez

    Em maio de 2017, manifestantes arrancaram e destruíram uma estátua do falecido presidente venezuelano Hugo Chávez em protesto contra a convocação da nova Assembleia Constituinte do governo de Nicolás Maduro. Maduro vem sendo alvo de protestos da opositores que o acusam de levar a Venezuela rumo a uma ditadura.

  • Estátua de Franco a cavalo é retirado de praça no norte da cidade espanhola de Santander Foto: AP

    Francisco Franco

    Em dezembro de 2008, a Espanha derrubou a última estátua do ditador Francisco Franco montado a cavalo, em Santander. A retirada foi consequência da aprovação da lei de Memória Histórica, que estabelece ainda a retirada dos símbolos franquistas dos espaços públicos. Resta ainda uma estátua sua (no enclave de Melilla).

  • Estudantes comemoram enquanto estátua de Cecil Rhodes é removida por guindaste da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul Foto: REUTERS/Sumaya Hisham

    Cecil Rhodes

    Após protestos dos estudantes, a Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul, removeu uma estátua do imperialista britânico Cecil Rhodes, em 9 de abril de 2015. Sob os aplausos dos universitários, a derrubada foi um gesto simbólico que expôs a divisão racial persistente no país duas décadas após o fim do apartheid.

Newsletter

As principais notícias do dia no seu e-mail.

TROCAR IMAGEM


Quase pronto…

Acesse sua caixa de e-mail e confirme sua inscrição para começar a receber nossa newsletter.

Ocorreu um erro.
Tente novamente mais tarde.

Email inválido.
{{mensagemErro}}

Todos os Direitos Reservados a(o) criador(a) deste conteúdo. Acesse o link original.