Exposição manipula fotos e transforma brancos famosos em negros – Paula Carvalho

A exposição Pourquoi pas? estará aberta ao público entre os dias 2 e 22 de dezembro na Galeria Rabieh, em São Paulo. A proposta da ex-consulesa da França no Brasil Alexandra Loras, é refletir sobre o protagonismo do negro na sociedade brasileira, manipulando digitalmente fotografias de 20 celebridades brancas, da música, da TV e da política, transformando-as em negras.

Sabíamos que esta exposição poderia incomodar. Mas a arte seria ainda arte se ela fizesse unanimidade e não causasse  debate? Uma das funções da arte não é ter um impacto na sociedade, questionando algumas regras sociais,  e quebrando os códigos atuais? Os artistas Matisse, Derain e Vlaminck foram vaiados e causaram escândalo no Salão de Outono de Paris em 1905. Depois dessa repulsa, o “Fauvismo” foi criado e se tornou um dos principais movimentos da pintura do século XX. Com o nosso titulo “Pourquoi pas?” nós obviamente não pretendemos mudar o curso da arte no século XXI. Como já dissemos, a nossa intenção é de estimular o debate e o questionamento na nossa sociedade atual. consequência,  respeitaremos todas as opiniões que foram ou serão formuladas, por mais duras que sejam. Algumas criticas vêm até das grandes figuras da comunidade negra por  quem temos respeito e admiração. Esses pontos de vista nutrem esse debate que consideramos indispensável e saudável. Porém, no que diz respeito ao “blackface” da exposição, não buscamos nenhum paralelo entre essa prática e os retratos dessas celebridades brancas de pele negra. Aliás, seria interessante saber se, na reação de alguns visitantes, eles veem nestes retratos primeiro (ou unicamente) a cor negra ou uma caricatura de negro. Algumas reações abrasivas sugerem que os brancos não são os únicos em questão …

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Quando Loras divulgou as obras da exposição em seu Instagram, alguns dos comentários foram na contra mão do objetivo e diziam que ali enxergavam um caso de blackface, prática considerada racista que teve início no teatro durante o século 19, quando pessoas brancas pintavam a cara para interpretar personagens negros estereotipados.

“Sabíamos que esta exposição poderia incomodar.
Mas a arte seria ainda arte se ela fizesse unanimidade e não causasse debate?
Uma das funções da arte não é ter um impacto na sociedade, questionando algumas regras sociais, e quebrando os códigos atuais?

Como já dissemos, a nossa intenção é de estimular o debate e o questionamento na nossa sociedade atual. consequência, respeitaremos todas as opiniões que foram ou serão formuladas, por mais duras que sejam. Algumas criticas vêm até das grandes figuras da comunidade negra por quem temos respeito e admiração. Esses pontos de vista nutrem esse debate que consideramos indispensável e saudável.

Porém, no que diz respeito ao “blackface” da exposição, não buscamos nenhum paralelo entre essa prática e os retratos dessas celebridades brancas de pele negra.

Em sua origem, o blackface é uma técnica de maquiagem teatral adotada no século 19 por atores brancos americanos que pintavam seus rostos com carvão para representar os negros de forma estereotipada e jocosa. Em momento algum essa antiga prática norteou a concepção das obras da minha exposição, que será inaugurada no dia 2 de dezembro.”

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Mesmo com a defesa, muitos seguem criticando e acreditando que enaltecer personalidades negras seria um caminho mais acertado. Fica aqui o vídeo da participação de Alexandra no Morning Show:

Alexandra Loras e o historiador Carlos Eduardo Dias Machado lançaram o livro Gênios da Humanidade que reúne nomes das ciências humanas, exatas e biológicas que tem como ponto em comum a origem africana.

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