Governo do Reino Unido disposto a pagar €55 mil milhões à UE

A editora de política da BBC avançou esta terça-feira que o Reino Unido propôs à União Europeia pagar entre 40 mil milhões e 55 mil milhões de euros pela chamada “fatura do divórcio”, uma oferta mais generosa do que a anterior, que segundo Laura Kuenssberg foi comunicada a Bruxelas após uma importante reunião do governo de Theresa May no final da semana passada.

Apesar de ainda não haver um acordo final quanto ao dinheiro que os britânicos terão de desembolsar para finalizar o Brexit — e de, para já, o governo não confirmar os valores — Kuenssberg diz que a proposta foi “muito bem-recebida” por Bruxelas.

“Os dois lados estão agora a discutir se os principais negociadores — Olly Robbins (conselheiro de May para o Brexit) e Sabine Weyand (vice do chefe da delegação da UE, Michel Barnier) — conseguem chegar a um acordo mútuo, no que me foi descrito como uma ‘verdade acordada’, antes da próxima segunda-feira”, avança esta quarta-feira a jornalista da BBC.

O valor que o Reino Unido irá pagar para saldar dívidas com a UE tem sido um dos grandes pontos de contenda nas negociações de saída. Em setembro, Theresa May sugeriu que estava disposta a pagar cerca de 20 mil milhões de euros, um valor que Bruxelas considerou demasiado baixo.

O Reino Unido continua empenhado em conseguir que as negociações sobre a futura relação comercial com o bloco comecem antes do final do ano, algo que as autoridades europeias já avisaram que só acontecerá quando houver “progressos suficientes” nas questões mais fraturantes relacionadas com o divórcio, entre elas este acordo financeiro, os direitos dos cidadãos da UE no Reino Unido após o Brexit e a fronteira da Irlanda.

A UE diz que o Reino Unido tem de fechar contas antes de abandonar o bloco, uma fatura que diz respeito aos compromissos financeiros assumidos por Londres antes do referendo de 2016, no qual cerca de 52% dos eleitores que foram às urnas votaram a favor da saída. Londres aceita que tem algumas obrigações financeiras e, antes dos rumores de um acordo, já tinha prometido não defraudar os restantes Estados-membros no que toca ao Orçamento comunitário de cobre o período de 2014 a 2020.

“Mas o diabo está nos detalhes”, refere a editora de política da BBC. No âmbito da chamada ‘fatura do divórcio’, as delegações têm estado a discutir o financiamento do fundo de pensões de funcionários da UE e como as contribuições do Reino Unido para esse fundo devem ser calculadas nos próximos anos. A par disso, aponta o canal britânico, também há “a questão do que vai acontecer a projetos de construção que já tinham fundos alocados por todos os Estados-membros, incluindo pelo Reino Unido, mas que só vão começar após a saída” dos britânicos.

Neste momento, Londres está sob pressão para apresentar propostas satisfatórias aos parceiros europeus antes da cimeira da UE marcada para meados de dezembro, quando os chefes de cada país do bloco vão decidir se houve progressos suficientes nas negociações de saída para se avançar para as discussões sobre um acordo comercial pós-Brexit.

Segundo o “Daily Telegraph” e o “Financial Times”, os dois lados já chegaram a um acordo sobre como o valor final da ‘fatura do divórcio’ deve ser calculado. Confrontada com estas notícias, uma fonte de Downing Street garantiu que “as negociações ainda estão a decorrer, ainda não há nenhum acordo”. Um porta-voz da equipa de Barnier escusou-se a comentar o assunto.

Também face a estas notícias, o grupo pró-UE Open Britain avisou que este “custo colossal do Brexit” vai ser “difícil de engolir” para os eleitores britânicos. Do outro lado, entre os que são a favor da saída e de um Brexit duro, o deputado do UKIP, Mike Hookem, disse que o valor noticiado é “um ultraje absoluto” e “mais uma capitulação” da primeira-ministra conservadora.

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