Joesley fica em silêncio na CPI da JBS

Brasília (AE) – Em sessão de quatro horas de duração, o empresário Joesley Batista se negou a responder perguntas de parlamentares ou fazer qualquer afirmação na oitiva da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPI Mista) da JBS. Como já era esperado, Joesley, que está preso desde setembro, usou o direito de ficar em silêncio, mas ouviu críticas, ironias e até provocações de deputados e senadores presentes na comissão.


Relator da Comissão Parlamentar de Inquérito, Carlos Marum afirmou que
o depoente foi cooptado pela ideia de correr ao EUA

Joesley, um dos donos da JBS, foi convocado porque, em delação premiada, forneceu informações que fundamentaram as denúncias contra o presidente Michel Temer. Os benefícios do acordo, no entanto, foram suspensos pelo ministro Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal sob o argumento de que o empresário teria omitido informações.

Preso desde setembro por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), Joesley Batista chegou ao Senado pouco depois das 8h escoltado por agentes da Polícia Federal e acompanhado por seus advogados. Até começar a reunião ele permaneceu aguardando em uma sala isolada. A estratégia do executivo, de permanecer em silêncio, foi a mesma adotada pelo irmão Wesley Batista e pelos ex-diretores da J&F Ricardo Saud e Francisco de Assis e Silva, que já estiveram no Senado.

Provocações
Logo no início da oitiva, o relator da CPI Mista e um dos principais defensores do governo Temer, deputado Carlos Marun (PMDB-MS), provocou o empresário. “Acho que o senhor não é tão bandido quanto confessa ser. Acho que o senhor falou coisas cooptado por essa ideia de correr logo para os EUA”, afirmou.

O deputado João Rodrigues (PSD-SC), tentou fazer o empresário falar. “Já deu pra perceber pela sua aparência, mais magro, que o senhor deva viver um inferno. Sei que o senhor tem vontade de abrir o peito, chorar, falar, pedir perdão… espero que o senhor apele pra sua consciência sob pena de outros falarem, mas aí talvez já seja tarde.”

Paulo Pimenta (PT-RS) brincou sobre o silêncio do empresário. “Quem consegue fazer o cantor Roberto Carlos, que é vegetariano, comer carne é um cara poderoso”, disse ao fazer referência à propaganda da Friboi, do grupo JBS, que tinha a participação do cantor.

Próximas etapas
O presidente da comissão, senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), disse que na sessão marcada para esta quarta-feira vai pautar a convocação de diversos políticos. Há requerimentos para convocação dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, do ex-ministro Antonio Palocci e do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, entre outros.

O depoimento de Joesley era considerado um dos mais importantes pelos parlamentares. Outra oitiva considerada chave pelo senador Ataídes Oliveira é a do ex-chefe de gabinete do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, Eduardo Pelella.

O depoimento de Pelella estava marcado para o dia 22 de novembro, mas não ocorreu porque um mandado de segurança, impetrado pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, no Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender a convocação foi deferido pelo ministro Dias Toffoli.

Na decisão, Toffoli também deu prazo de dez dias para que o presidente da CPMI da JBS, senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), prestasse informações sobre a convocação de Pelella. “Estamos pedindo que ele [Toffoli] reconsidere ou que ele leve a decisão ao plenário porque penso que é de grande valia para nós ouvir Eduardo Pelella”, disse Ataídes ao esclarecer que a advocacia do Senado já enviou as explicações ao ministro.

A convocação de Pelella pela CPI da JBS foi aprovada depois que ele recusou receber os assessores da comissão e o presidente do colegiado.

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