Jornal Nacional – PSDB anuncia desembarque do governo para o dia 9 de dezembro

O PSDB passou os últimos meses em uma indecisão sem fim: se sai ou se fica no governo de Michel Temer. Nesta quarta-feira (29), o ministro da Casa Civil disse que os tucanos estão fora, mas o presidente Temer negou.

Era para ser só um balanço sobre os feitos do governo contra a burocracia, mas o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, acabou falando sobre uma das maiores preocupações do governo: a instável relação com o PSDB.

“O PSDB não está mais na base do governo”, disse.

O PSDB anunciou o desembarque do governo para o dia 9 de dezembro, data da convenção nacional do partido. No entanto, ainda tem três ministros: da Secretaria de Governo, Antônio Imbassahy; da Secretaria de Direitos Humanos, Luislinda Valois; e das Relações Exteriores, Aloysio Nunes. E ninguém pediu demissão.

Padilha disse que um ou outro pode permanecer por escolha pessoal do presidente. Deve ser o caso de Aloysio Nunes, por exemplo.

A preocupação do governo é com o peso do PSDB na votação da reforma da Previdência. O Planalto já foi alertado que sem o partido não consegue os 308 votos para aprovar as mudanças. E aposta no velho discurso dos tucanos, que sempre defenderam reformas.

Mas o PSDB já anunciou que não fechou questão. Orientou voto a favor da reforma, mas não vai punir quem votar contra. E, para embolar ainda mais a relação com o Planalto, os tucanos querem algumas mudanças no texto da reforma.

As propostas do PSDB vão na contramão da reforma, diminuindo ainda mais a economia necessária nas contas públicas, como benefício integral para aposentados por invalidez, acúmulo de pensão e a manutenção de direitos para servidores públicos que entraram até 2003.

O chefe da Casa Civil avisou que o governo não vai ceder. Segundo Padilha, o texto original já foi cortado até o osso. O líder do PSDB na Câmara disse que essas sugestões foram feitas em abril.

“Não é novo, dá impressão: o PSDB agora está abrindo uma renegociação. Não. O governo votou com o projeto, fez algumas alterações, nós tivemos uma solicitação feita no primeiro semestre, nós vamos obviamente agora rediscutir essa questão”, afirmou o deputado Ricardo Tripoli (PSDB-SP).

Em entrevista ao jornal “O Estado de S.Paulo”, o economista Edmar Bacha, tucano histórico e um dos pais do Plano Real, criticou a decisão do partido de não fechar questão a favor da reforma. Disse que a reforma “é uma coisa fundamental para o país, está na origem fiscal do Plano Real”.

Em almoço no Clube Naval, com presença de deputados e o presidente da Câmara, Michel Temer voltou a defender a reforma. Ele negou que o PSDB esteja fora do governo.

O desfecho dessa relação com os tucanos deve ser tratado em uma conversa sábado com o governador de São Paulo e futuro presidente do PSDB, Geraldo Alckmin.

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