O Southampton até tentou, mas é cada vez mais difícil parar o City | ESPN FC

A tônica do último texto aqui no blog havia sido de que não existe vida fácil na Premier League, dadas as condições estabelecidas para que o City pudesse vencer o Huddersfield no último final de semana.

Nesta quarta-feira (29), não foi diferente, à medida que o City precisou de todos os cinco minutos de acréscimo do segundo tempo e mais três segundos para vencer o Southampton do competente goleiro Forster.

Apesar das circunstâncias e do placar magro de 2 a 1, o resultado até poderia ter sido um pouco mais elástico, não tivesse sido a tarde iluminada do arqueiro dos Saints. A título de informação, o City finalizou não menos que 26 vezes em pouco mais de 90 minutos, e precisou de um chute de raríssima felicidade e muita categoria de Sterling para manter a sequência de vitórias e a vantagem de oito pontos sobre o United.

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Em relação à equipe que havia vencido o Huddersfield, hoje Pep mandou a campo um time com duas modificações, com Gündogan na vaga de David Silva e Gabriel Jesus no lugar de Sané. Aos mais incautos, até poderia parecer que não haveria nenhuma mudança estrutural no time, especialmente se considerarmos que Gündogan gosta de trabalhar na mesma toada de David Silva no sentido de controlar o jogo a partir do meio de campo, embora participe menos ativamente na criação de jogadas.

conta desse segundo aspecto, viu-se uma movimentação interessante e diferente no meio de campo, com De Bruyne voltando mais que o de costume para buscar o jogo a partir da intermediária defensiva, além de fazer todo o trabalho de flutuação pelo meio que lhe é característico.

Já no que diz respeito à entrada de Gabriel Jesus, outra mudança na forma de atacar o adversário. Ao passo que Sané é um winger de ofício e parte em velocidade para o fundo, enquanto Jesus é mais homem de ataque e, por vocação, vai procurar trazer do canto para o meio se for escalado mais ao lado como foi o caso hoje.

O Southampton, por outro lado, foi ao Etihad para fazer o que parecia ser mais sensato: fechar-se atrás pra tentar segurar a igualdade no placar e, alcançado o objetivo, tentar fazer o relógio andar mais depressa ao valorizar cada lance do jogo, de cobrança de lateral a tiro de meta.

Contudo, é preciso fazer justiça ao time de Mauricio Pellegrino. O Southampton foi ao Etihad com a proposta clara de se defender, mas nem por isso se acovardou ao ponto de abdicar de jogar futebol. Até por conta disso, especialmente em bolas paradas ou apostando em algum erro do City, chegou a criar boas chances de abrir o placar, tendo inclusive acertado uma bola na trave em dada ocasião.

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No primeiro tempo de modo geral, o City mostrou a agressividade que se espera do time jogando dentro de casa e só não abriu o placar porque Forster não permitiu. Na volta do intervalo, com o placar em branco, sabia-se que o time precisava ir pra cima desde o primeiro instante ao invés de trabalhar a bola na zona central a fim de procurar algum eventual espaço que o Southampton pudesse deixar.

Para tranquilidade geral de time e torcida, o gol veio logo no começo, em cobrança de falta de Kevin De Bruyne que desviou em Virgil van Dijk e morreu na rede. Embora o desvio do zagueiro holandês tivesse sido claro e fundamental para o gol, a arbitragem assinalou o gol em nome de KDB.

Como todos nós bem sabemos, o City não se permite acomodar com a vantagem mínima e as chances começaram a se multiplicar – e a serem desperdiçadas. E partindo do princípio de que não existe vida fácil na Premier League, mesmo um time imparável como tem sido o City, surpresas desagradáveis podem se apresentar ao longo do jogo.

Uma dessas surpresas se materializou no gol de Oriol Romeu, num momento em que apesar de Pep ter tirado um de seus atacantes, o City era amplamente superior na partida e na justamente na única jogada trabalhada pelo Southampton na segunda etapa, fizeram o gol, aproveitando-se especialmente de uma falha de posicionamento de Delph.

Àquela altura, era óbvio que o City iria pra cima para tentar reaver o prejuízo, mas, levando em conta que à medida que os minutos passavam e os erros se acumulavam, já era possível se conformar com o tropeço e com a sequência quebrada – e até mesmo porque o Southampton havia feito tudo o que era possível dentro de suas possibilidades para sair do Etihad com um resultado que não fosse uma derrota.

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Voando cada vez mais alto

Entretanto, o Typical City está mais para tradição do que lenda ou mito, e hoje mais uma vez se fez presente quando no último lance de jogo, Sterling e De Bruyne tiveram a calma necessária e a frieza admirável para trocar passes na frente da área adversária, construindo a jogada que culminou no golaço do camisa 7.

Coletivamente falando, hoje o City se apresentou de forma muito superior àquela que se viu contra o Huddersfield, e ainda assim hoje a vitória foi conquistada em condições muito mais dramáticas, o que significa algo muito importante: o City tem mostrado a fibra mental necessária para se sobressair em cenários adversos, e isso é fundamental em qualquer time campeão.

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