Petrobras, Vale e siderúrgicas sobem; estatal afunda 4% com oferta de ao menos 16,4 mi units

Confira abaixo os destaques deste pregão:

Vale e siderúrgicas
As ações da Vale dão continuidade aos ganhos da véspera, na esteira do movimento de alta do minério de ferro. Hoje, os contratos futuros da commodity negociados na bolsa chinesa de Dalian subiram 2,09%, a 512,5 iuanes. Contribui para o desempenho recente também uma série de revisões de recomendações da mineradora: ontem, a companhia teve a sua ação elevada para compra pelo BTG Pactual, com novo preço-alvo de US$ 14 para o ADR (veja aqui); na segunda-feira, foi o Morgan Stanley (leia mais) que revisou a recomendação de “equalweight” (exposição em linha com a média) para “overweight” (exposição acima da média). 

O movimento positivo hoje é acompanhado também pelas ações da Bradespar – holding que detém participação na Vale – e as siderúrgicas, com Gerdau (GGBR4, R$ 11,05, +0,64%), Usiminas (USIM5, R$ 9,32, +0,54%) e CSN (CSNA3, R$ 7,89, +1,41%). 

No radar, o colegiado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) rejeitou recurso da CSN e do Fundo de Investimento Multimercado (Diplic) sobre a necessidade de realização de Oferta Pública de Aquisição de Ações (OPA) da Usiminas.

A siderúrgica tenta provar que houve troca de controle na Usiminas no momento em que o grupo ítalo-argentino Ternium/Techint ingressou no capital da companhia mineira, em 2012. A CSN quer mostrar que tem direito, assim como os demais minoritários da CSN, a receber 80% do valor de R$ 36 por ação, o chamado tag along, que foi pago pelo papel da Usiminas pela Techint/Ternium à época da compra. Essa ferramenta de proteção aos minoritários em caso de troca de controle está prevista da lei das S/As.

No fim do ano passado, quando recebeu parecer desfavorável na Superintendência da CVM, a CSN entrou com um recurso alertando que a área técnica não buscou, por exemplo, a manifestação dos interessados e pediu anulação e posterior revisão do parecer.

O grupo ítalo-argentino Ternium-Techint pagou, à época, R$ 5 bilhões pela participação então detida pelo grupo Camargo Correa/Votorantim, que deu o passe para a entrada no bloco de controle, ao lado da japonesa Nippon Steel. O preço por ação foi de R$ 36, cerca de quatro vezes a mais do que valor da ação atualmente.

Depois disso, ao longo dos últimos dois anos, Ternium e Nippon Steel têm travado uma da maiores brigas societárias já vistas no Brasil. E é esse ponto, agora, que a CSN deverá utilizar para tentar mostrar ao STJ que houve, de fato, mudança de controle.

Petrobras (PETR3, R$ 16,35, +0,43%; PETR4, R$ 15,86, +0,13%)
As ações da Petrobras sobem apesar do dia de indefinição para os preços do petróleo, com o mercado à espera da reunião da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) amanhã e no aguardo dos dados oficiais de estoques nos Estados Unidos. Ontem, a API indicou alta nos estoques em 1,6 milhão de barris por dia na semana passada. 

Neste momento, os contratos futuros do petróleo Brent, negociados em Londres, caíam 0,17%, a US$ 63,50 o barril, enquanto os contratos do WTI, cotados em Nova York, operavam em queda de 0,29%, a US$ 57,82 o barril. 

Além disso, no radar, a Petrobras anunciou corte de 0,8% do preço da gasolina e de 0,5% do preço do diesel, válidos a partir da próxima quinta-feira. 

A nova política de revisão de preços foi divulgada pela petroleira no dia 30 de junho. Com o novo modelo, a Petrobras espera acompanhar as condições do mercado e enfrentar a concorrência de importadores. Em vez de esperar um mês para ajustar seus preços, a Petrobras agora avalia todas as condições do mercado para se adaptar, o que pode acontecer diariamente. Além da concorrência, na decisão de revisão de preços, pesam as informações sobre o câmbio e as cotações internacionais.

Braskem (BRKM5, R$ 46,20, +1,27%)
As ações da Braskem sobem na esteira de anúncio do pagamento antecipado de dividendos de R$ 1 bilhão em 12 de dezembro. Originalmente, o pagamento era esperado para abril. 

Os proventos correspondem aos resultados financeiros da empresa de 2017. A empresa informa que decidiu antecipar o pagamento pois possui uma ampla posição de caixa. 

O pagamento será feito pelo Itaú Unibanco e Bank of New York Mellon. 

Construtoras
O Ministério Público pediu que o TCU proíba emissão de perpétuo da Caixa a ser comprado pelo FGTS. A idéia original era resolver Basiléia via emissão desse perpétuo, mas a probabilidade do TCU aprovar isso agora é mais baixa e com isso a Caixa vai ter buscar outra solução (vender ativos, restringir crédito imobiliário, entre outros). Segundo o BTG Pactual, sem dúvida, a notícia é negativa para o setor, com impacto maior para as empresas que operam na média/alta renda (Caixa deve seguir com baixa originação no SBPE).

“Na baixa renda, apesar da dependência da Caixa ser bem grande, não há pressão de Basileia na originação de crédito para famílias que ganham até R$ 4 mil por mês (dado que o recurso é antecipado com o FGTS). Apesar de reconhecermos que a notícia deve pressionar o setor, reiteramos visão positiva nos players de baixa renda, sendo MRV nosso top pick”, apontam os analistas. 

Açúcar e etanol
A Câmara aprovou na noite de terça-feira o texto principal do projeto que cria a Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio).  Em votação simbólica, os deputados aprovaram o texto considerado estratégico para a retomada dos investimentos na indústria de biocombustíveis. Agora, o texto irá ao Senado. 

“Pelo que vimos, o que foi aprovado manteve os mesmos fundamentos do projeto de lei original, o que inclui um objetivo de longo prazo muito ambicioso para o etanol (2030), mantendo os objetivos de médio prazo (ou seja, 2022) bastante leves. Achamos que pode criar um momentum no setor hoje, ainda que não mude o fato de que o impacto vai ser só no longo prazo. Reiteramos visão positiva no setor”, aponta o BTG.

 Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 43,01, +0,58%)
Segundo o Valor Econômico, o Itaú prepara captação com bônus perpétuos no exterior. O banco se reúne com investidores a partir do dia 30, diz o jornal, que cita pessoa a par da operação sem identificá-la. Os coordenadores da operação serão: BB Securities, BofAML, Itaú BBA, JP Morgan e Standard Chartered

Eletropaulo (ELPL4)
Segundo a coluna do Broad, do Estadão, após migrar para o Novo Mercado, a Eletropaulo já trabalha em uma oferta subsequente (follow on), programada para ocorrer no início do ano que vem. A companhia do setor elétrico começa a pedir aos bancos de investimento o envio de propostas para a contratação do sindicato que estruturará a emissão. A operação pode ser a porta de saída de AES e BNDESPar, acionistas que até a migração para o Novo Mercado controlavam a companhia, com 50,51% e 22,5% das ações ON, respectivamente, e que passaram a deter 16,84% e 18,73%, nesta ordem.

Sanepar (SAPR11, R$ 55,00, -4,18%)
A Sanepar iniciou a oferta secundária de ao menos 16,4 milhões de units. A emissão será de 9,9 milhões de units de titularidade do estado do Paraná, 5,3 milhões da Copel e 1,15 milhão de titularidade da Copel Comercialização, segundo comunicado.

A oferta poderá ser acrescida em até 15% do total de units inicialmente ofertadas, ou seja, 2,4 milhões de certificados de depósitos de ações. O preço por unit mínimo é de R$ 50,00 e o coordenador líder é o Itaú BBA. A fixação do preço por unit em oferta ocorrerá em 12 de dezembro de 2017 e o início das negociações na B3 ocorrerá no 2° dia útil contado da data de divulgação do comunicado do preço por unit. A liquidação será no 4° dia útil a partir da divulgação do preço por unit.

O BTG aponta que a oferta secundária já era esperada, ressaltando que toda a  conversão de units foi feita justamente para dar liquidez para o governo do Estado e para a Copel poderem vender suas ações (sendo que o Paraná continuará controlando a companhia). O overhang (com preço de fechamento de ontem) dá algo perto de R$ 941 milhões (R$ 573 milhões do Estado e R$ 367 milhões do lado da Copel).  

Hypermarcas (HYPE3, R$ 33,69, -0,15%)
A Hypermarcas teve a recomendação rebaixada para ‘manutenção’ pelo HSBC, com preço-alvo de R$ 33,40.

Rumo (RAIL3, R$ 13,27, +1,38%)
Depois de adquirir a Concremat Engenharia e o projeto portuário de São Luís, no Maranhão, a gigante chinesa CCCC mira o setor ferroviário, informa o Estadão. A empresa negocia a compra de participação na Malha Sul, concessão de 7.208 quilômetros (km) que hoje está nas mãos da Rumo. Fontes ouvidas pelo jornal ligadas ao grupo afirmaram que a companhia asiática tem planos de ficar com uma fatia de 55% a 60% da malha, mas não descarta ser acionista minoritário, uma vez que a Rumo não quer abrir mão do controle. 

JBS (JBSS3, R$ 7,93, +0,76%)
Segundo o Valor Econômico, a Seara, da JBS, suspendeu a operação em dois abatedouros suínos. A decisão foi tomada após a Rússia suspender importações de carne suína do Brasil, diz o jornal. 

 (Com Agência Estado) 

Todos os Direitos Reservados a(o) criador(a) deste conteúdo. Acesse o link original.