Procissão luminosa, choro e emoção nas homenagens da Chapecoense

 

Procissão luminosa saiu da Arena Codná até a Catedral Santo AntônioFoto: Angélica Luersen / Especial

Um ano depois, a lua crescente e o céu estrelado contrastavam com a manhã chuvosa em que Chapecó foi acordada com a notícia de que o avião da Chapecoense havia caído.

– Eu estava com a água no joelho quando recebi a notícia – disse Maria de Lourdes Damo, de 67 anos, lembrando que a rua Clevelândia alagou na madrugada de 28 para 29 de novembro de 2016
Ontem ela pegou a bandeira da Chapecoense que guarda debaixo da Bíblia e foi participar da procissão luminosa e das homenagens de um ano do acidente ocorrido em La Unión, na Colômbia.

A celebração conduzida pelo bispo Dom Odelir Magri iniciou à meia noite. Mas o público chegou horas antes na Arena Condá. Familiares, torcedores, amigos, todos comungavam o sentimento de perda. Alguns olhavam para o gramado e lembravam das jogadas daquele time inesquecível. Parte da torcida cantava.

Outros recebiam abraços de conforto, como Rose Dávi e o filho, Pablo Dávi, que perderam o marido e pai Daví Barella Dávi.

– Não é fácil mas temos que tocar, ele faz muita falta – lembrou Pablo.

Funcionários da empresa Nostracasa vestiam a camisa com a foto daquele que era considerado o pai de 240 funcionários.

Mateus Pallaoro, filho do ex-presidente Sandro Pallaoro, tentava enxugar as lágrimas quando foram acesas as 71 velas, que correspondia ao número de vítimas.

Homenagens de um ano da tragédia com o voo da Chapecoense

Familiares do ex-presidente Sandro Pallaoro se emocionaram com as homenagensFoto: Angélica Luersen / Especial

A procissão saiu em silêncio da Arena Condá. Quem não tinha vela acendeu a lanterna do celular. Mano Dal Piva, coordenador da base da Chapecoense, carregou uma vela para homenagear os amigos que perdeu. Durante o dia ele havia recebido muitas mensagens que o fizeram reviver aqueles dias tristes do final de novembro do ano passado.

Vitor Oldra, Luciana Fermino e Vitor Restelo levaram velas com uma proteção verde, para barrar o vento. Eles perderam vários amigos como Cadu Gaúcho, Márcio Koury, Cleberson Silva, Nilson Folle Jr e Rafael Gobatto, entre outros.

– Não tem como não reviver a tristeza desse dia, a gente jogava bola junto e dez dias antes tinha feito um amigo secreto – lembrou Oldra.

O empresário Pedro Migliorini não tem mais como conseguir um autógrafo do goleiro Danilo, mas conseguiu da mãe dele, dona Ilaídes, e foi para a procissão com a camisa que ela assinou.

– Chorei muito quando vi as reportagens –desabafou.

O estudante Renan Pereira, 13 anos, fez sua homenagem carregando a bandeira da Torcida Jovem por cerca de seis quadras.

-Eles merecem, quando deu o acidente fiquei três dias dormindo no estádio – disse.

A procissão encerrou na Catedral Santo Antônio, onde foi encerrada a celebração, que contou com uma oração lida pelo jornalista Rafael Henzel, um dos seis sobreviventes do acidente aério. No horário do acidente, à 1h15, o sino da Catedral começou a tocar.

O estudante Felipe Pimenta, 23 anos, falou da emoção que sentiu pelo amigo Aílton Canela, de quem tinha a imagem na camiseta.

– Eu só fechei os olhos e agradeci por ter conhecido ele e pedi que Deus dê força a todos os familiares e que a Chapecoense continue sendo a paixão da cidade – afirmou.

Pimenta disse que no dia 18 de novembro teve uma festa surpresa para Canela, que estava de aniversário.

No final da celebração o canto “Vamos, Vamos Chape” transformou a igreja num estádio. Algumas pessoas prosseguiam e vigília até a missa, que está prevista para às 18h30 desta quarta-feira.

Às 9h de hoje será aberta a visitação a um corredor com imagens dos jogadores, dirigentes e funcionários do clube. O gerente de futebol Nivaldo se emocionou ao ver a imagem dos amigos que não estão mais ao seu lado.

A visitação encerra às 21h. Próximo das 22h as 71 luzes que estarão iluminando o escudo do clube no gramado vão se erguer em forma de canhões de luz para o céu, como se fosse uma conexão dos que se foram com o gramado da Arena Condá. 

– Daqui a 20 anos a gente vai continuar vindo aqui – disse o torcedor Luiz Fernando Tomazelli. Afinal, a Chapecoense tem um time que é eterno.

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